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Lobo Antunes espanta com 'adeus aos livros'

 

Livros. Em entrevista anunciou que pára de escrever em dois anos

Vários escritores interromperam a carreira muito cedo apesar do sucesso conquistado

Ontem, em entrevista ao DN, António Lobo Antunes garantiu que vai "calar-se" dentro de dois anos. Instado a comentar as inúmeras reacções, António Lobo Antunes nada adiantou em relação ao que dissera e apenas confirmou que, depois de ter terminado o seu próximo livro, estava sem nada que fazer.

Durante o dia de ontem, a imprensa espanhola também noticiou o "adeus aos livros" do autor do recente O Arquipélago da Insónia. Desde o diário El País ao site do canal de televisão Telecinco, foram vários os órgãos que reproduziram um texto da agência EFE, que cita a notícia dada em primeira mão pelo DN.

Esta revelação de António Lobo Antunes pode até ter surpreendido algumas pessoas, mas não é um caso isolado. É verdade que são muitos os autores que, como o recentemente falecido John Updike, continuam a escrever novos livros até à data da sua morte, mas alguns decidem parar de publicar quando se encontram no topo.

J. D. Salinger, por exemplo, é um dos grandes vultos das letras norte-americanas, contudo não publica uma única linha desde a década de 60. O autor de À Espera no Centeio (The Catcher In The Rye) fez 90 anos no primeiro dia de 2009, tendo optado há largos anos por uma vida de reclusão. Harper Lee é outro caso curioso. Estreou-se em 1961 com o romance Por Favor, não Matem a Cotovia (To Kill A Mockingbird). Na altura conquistou um Pul- litzer, mas não voltou a editar qualquer livro.

Já o poeta francês Rimbaud continuou a escrever até morrer, prematuramente, com apenas 37 anos. Não obstante, durante muito tempo limitou-se a assinar cartas, pois redigiu o último texto literário aos 21 anos. O norte-americano Henry Roth, por outro lado, escreveu um primeiro livro, Call It Sleep, em 1934. Só regressaria passados 45 anos, mas ainda conseguiu assinar várias obras até que morreu em 1995.

Contudo, ao contrário de Lobo Antunes, que ontem anunciou a sua intenção de parar de escrever, estes autores deixaram subitamente de publicar livros, sem qualquer aviso prévio. Nalguns casos, chegaram mesmo a anunciar que estavam a preparar novas edições, mas nunca concretizaram estas suas intenções. Um caso mais próximo seria o do brasileiro Raduan Nassar, que, depois de se tornar um nome consagrado no Brasil e ser traduzido em vários idiomas, desistiu da literatura para criar galinhas. L.F.R com J.C.S.


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